Caneta e Papel

(com qualquer ou nenhuma inspiração.)

Arquivos Mensais: maio 2007

O poder da palavra.

conheço pessoas que acham fantasiosa a idéia do poder que uma palavra tem.
já eu acredito bastante no poder de elevar ou destruir de um simples emaranhado de letras.
e um conjunto delas está me fazendo derramar teimosas lágrimas.
so hard..

Algo me dizia…

Em algum momento, em 7/8 anos atrás, algo ressoou no meu ouvido. Chamo de “algo” aquele sopro intuitivo que me envolve sem que eu consiga decifrá-lo de pronto. Irremediavelmente, muitas vezes, só reconheço o “algo” depois que ele ocorre.
Bom, não sei se exatamente por intuição ou por aquele enlace que acredito existir segundo o traçado lá do céu, eu já pressentia que um dia aqueles passos fortuitos passariam pela mesma trilha dos meus. Aliás, vieram de surpresa em minha direção. Se antes apenas meus olhos os seguiam, veio o momento de acompanhá-los.
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Falo de 7 anos atrás. Muitas trombadas, lágrimas, tristezas, ciúmes, olhares, desejo, cumplicidade e confiança conquistados na base da honestidade.
Uma honestidade que me fez sofrer, mas, ao mesmo tempo, conquistou um espaço inegociável. De 7 anos até sempre, será?
Ontem, me peguei pensando nos motivos que me fizeram abrir mão. A sinceridade com a qual fui conquistada, dentre tudo que mais prezo, me fez estacionar. Não por receios, mas por saber que os passos percorreriam outras trilhas, também. Paguei e pago tantos preços, mas sou egoísta demais para encarar esta fatura.
Hoje, vidas distantes, lugares distantes, mas sempre que esbarramos me sobra a sensação de imã. Haja força pra não grudar! Essa mesma força que me fez engolir, encarar, subtrair, “esquecer” depois daquela tarde de um seriíssimo papo virtual. Isso porque a recíproca é bastante verdadeira.
Certas coisas são mesmo difíceis de compreender.

O que quer uma mulher?

Um bebê nasce. O médico anuncia: é uma menina!

A mãe da criança, então, se põe a sonhar com o dia em que a sua princesinha terá um namorado de olhos verdes e casará com ele, vivendo feliz para sempre.
A garotinha ainda nem mamou e já está condenada a dilacerar corações. Laçarotes, babados, contos de fadas: toda mulher carrega a síndrome de Walt Disney.

pinup.jpg Até as mais modernas e cosmopolitas têm o sonho secreto de encontrar um príncipe encantado. Como não existe um Antonio Banderas para todas, nos conformamos com analistas de sistemas, gerentes de marketing, engenheiros mecânicos. Ou mecânicos de oficina mesmo, a situação não anda fácil. Serão eles desprezíveis? Que nada. São gentis, nos ajudam com as crianças, dão um duro danado no trabalho e têm o maior prazer em nos levar para jantar. São príncipes à sua maneira, e nós, cinderelas improvisadas, dizemos sim! sim! sim! diante do altar; mas, lá no fundo, a carência existencial herdada no berço jamais será preenchida.

Queremos ser resgatadas da torre do castelo. Queremos que o nosso pretendente enfrente dragões, bruxas, lobos selvagens. Queremos que ele sofra, que vare a noite atrás de nós, que faça tudo o que o José Mayer, o Marcelo Novaes e o Rodrigo Santoro fazem nas novelas. Queremos ouvir “eu te amo” só no último capítulo, de preferência num saguão de aeroporto, quando ele chegará a tempo de nos impedir de
embarcar.

O amor na vida real, no entanto, é bem menos arrebatador. “Eu te amo” virou uma frase tão romântica quanto “me passa o açúcar”. Entre casais, é mais fácil ouvir eu “te amo” ao encerrar uma ligação telefônica do que ao vivo e a cores. E fazem isso depois de terem se xingado por meia-hora: “Você vai chegar tarde de novo? Tenha a santa paciência, o que é que você tanto faz nesse escritório? Ontem foi a mesma coisa, que inferno! Eu é que não vou prepar o jantar para você às dez da noite, te vira. Tchau, também te amo.” E batem o telefone, possessos.
Sim, sabemos que a vida real não combina com cenas hollywoodianas. Sabemos que há apenas meia dúzia de castelos no mundo, quase todos abertos à visitação de turistas. Sabemos que os príncipes, hoje, andam meio carecas, usam óculos e cultivam uma barriguinha de chope. Não são
heróicos nem usam capa e espada, mas ao menos são de carne e osso, e a maioria tentaria nos resgatar de um prédio em chamas, caso a escada magirus alcançasse o nosso andar. Não é nada, não é nada, mas já é alguma coisa.

Dificilmente um homem consegue corresponder à expectativa de uma mulher, mas vê-los tentar é comovente. Alguns mandam flores, reservam quarto em hotéizinhos secretos, surpreendem com presentes, passagens aéreas, convites inusitados. São inteligentes, charmosos, ousados, corajosos, batalhadores. Disputam nosso amor como se estivessem numa guerra, e pra quê? Tudo o que recebem em troca é uma mulher que não pára de olhar pela janela, suspirando por algo que nem ela sabe direito o que é.

Perdoem esse nosso desvio cultural, rapazes. Nenhuma mulher se sente amada o suficiente.

(Martha Medeiros)

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